Rev... Revvei... Reveill... Como é mesmo?
Saudações! Saudações a todos vocês, funestos leitores ascéticos! Desejo, sem muito ímpeto, porém, com grande vontade que esse ano vindouro seja maravilhoso a todos! Que, sendo possível, ele seja infinitamente melhor e revele muito mais das magias do universo, desse mundão maravilhoso que nos pertence, ano após ano, geração após geração. Além das felicitações, preciso lhes contar algo. Confesso a vocês, assíduos leitores inexistentes, que encontrei uma caixa mágica no fundo do meu armário. Guardada nela estava toda a saudade que eu tenho. Toda! Achei mais do que justo, mesmo sendo impertinente, compartilhar essa emoção com todos vocês. Estava armezenada nas mais diversas modalidades: fotos, cartas, letras de música, bijuterias, recortes... E fiquei emocionado! Simples assim... Depois, angustiado... Tenho a impressão de que esse mundão não é mais tão maravilhoso como o mundão guardado dentro da caixa mágica. Talvez não tenha mais tanta intimidade para revelar o que eu descobri a respeito do amor. Por isso, reservo meu direito ao silêncio. Não antes de revelar, para acabar com minha inquietação, o que fiz com a caixa mágica. Eu ingeri todo seu conteúdo, ruminei e regurgitei tudo pela janela. Os conteúdos estão todos voando por aí. Queimei a caixa! Isso me fez chegar a seguinte conclusão: "O passado é melhor quando nele se habita o presente" Porém, há uma segunda conclusão: "Sendo a vida efêmera, façamos do presente nosso passado e nosso futuro" Palavras de ordem: Abaixo as caixas mágicas! Avante com as rupturas! E para aqueles que como eu, mesmo depois de tanta ladainha, ainda estão ansiosos com a vida, fica a dica do mentor: Não se afobe, não Que nada é pra já Amores serão sempre amáveis Futuros amantes, quiçá Se amarão sem saber Com o amor que eu um dia Deixei pra você... O amor que um dia eu deixei e espero deixar, mesmo pequenino, eternamente para vocês. Um beijo para cada um de vocês que não estão mais na caixa mágica! Feliz 2011! Saúde! Hasta!
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 07h08
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Pedaço V – A viagem de Rudá - É, Umbigão! Talvez tenhamos que caminhar bastante! Recuperado do susto e do desmaio repentino, Rudá sentia as areias do margem do rio engolirem seus dedos fazendo uma massagem bem gostosinha. Massageando, inclusive, aquele dedo mindinho do pé direito que, na hora da tempestade, topou com uma quina na embarcação e agora estava sangrando um pouquinho. Com os pés chafurdados, Rudá ainda se via confuso com muitas coisas. Com o uso do tempo, passado e presente, com os rios que desaguam ou não no mar, se é que existe mar e confuso até mesmo com o nome da cidade que procuravam: Cronolopólis. Só lembrava bem da construção da clepsidra, que tinham acabado de pesquisar na internet, e da inesquecível menina. Eles não tinham o que decidir, só andar meio que a esmo em direção oposta a da margem do rio. Não viam cidade, não viam estrada. Viam pouquíssimas árvores, meio mortas, que na verdade estavam mais para decoração, dessas que ficam no canto da sala ou do consultório. O resto era deserto. - Que calor!! - É... que calor!! A cabeça fritava! Umbigo não, malandro que é, pois estava coberto pela camisa xadrez. - Eu vou voltar, não tô aguentando andar... - Volta, não! Vamos pra inauguração da clepsidra! - Tá bom, vá! Rudá sempre foi submisso aos desejos de Umbigo. Sempre discutiram. Nunca saíram na mão, pois Umbigo não tem mão. Mas sairiam se tivesse. E no final de tanta briga e discussão, o orifício sempre teve suas vontades satisfeitas. Talvez seja porque a vida de Rudá não existiria sem a ajuda do buraquinho, que dentro da barriga da mãe já sugava todos os nutrientes necessários para que o pequenino crescesse. E daí, desde o corte do cordão, uma pequena ruptura criou uma relação de respeito serviente de Rudá com Umbigo. O absurdo calor do deserto cozinhava os miolos do andarilho. Sua confusão aumentou. Não entendia nada sobre os fenômenos. Olhava o mundo e ele parecia uma coisa só com sentido nele mesmo. E era mesmo, como sempre foi e sempre será. E tentava encontrar remoendo suas memórias alguma vez que tenha compreendido a significação das coisas. Sem sucesso. Não era nada. Nunca seria nada. Não poderia querer ser nada. À parte disso, Rudá tinha nele todos os sonhos do mundo. E tomou uma paulada na cabeça. Novamente o Sol já estava escondido e só deixava aparecer umas penungens de luz quando Rudá levantou do seu sono forçado. Tomou mais uma lambida na cara. Foi acordado por um cavalo. Um cavalo selado, com uns cantis pendurados. O cavalo parecia ter ordens para esperar Rudá acordar. - Caramba, que aconteceu? O silêncio do deserto ao anoitecer não era maior do que o silêncio pela falta de resposta. Umbigo não se queixou, não resmungou e nem falou nada. Havia algo errado. Rudá abriu a camisa. Uma papel estava colado bem no meio da cintura. E embaixo do papel, uma cicatriz imensa corria sua barriga. Antes que tamanha loucura pudesse fazê-lo cair em choro, ele percebeu que o papel, na verdade, se tratava de uma carta. Dizia assim: Você foi selecionado! Seu umbigo está em boas mãos. Para vê-lo novamente as regras são simples: 1) Continue atrás do que busca. 2) Almeje o gozo. Use nosso cavalo, caso queira. Namastê. Ass: Ar, Po e At. Ruptura. Rudá simplesmente enlouqueceu. Não foi necessário cavalgar por muitas horas até chegar em um povoado no meio daquele deserto. Não pediu comida, nem água. A primeira coisa que fez foi perguntar: - Como chego na nova clepsidra da cidade de Cronópolis? - Calma lá, amigo! Primeiro diga: quem é você? Rudá respirou fundo, tentou encontrar a resposta dentro de si, e quando soltou o ar, respondeu: - Eu sou Adão!
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 19h41
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Pedaço IV – A viagem de Rudá - Padu, quem é essa mulher? – Indagou Rudá - Ela é Frinéia Veloso. Já foi miss Brasil, modelo internacional, dessas de revista, sabe? Ela vai estar na inauguração da clepsidra, que vai acontecer amanhã. - Bacaninha. E você sabe como se digita essa porra? - Claro que sei. Padu fala, se afasta. Então, Rudá digitou “clepsidra” no Google, e logo no primeiro link descobriu o que é. E a noite não parou por aí. Notívago, Rudá navegou pela internet durante muitas horas. Estava acostumado com insônia e ao tédio. Lá pelas tantas, olhou novamente o quadro da mulher. Nosso herói, nesse momento, não teve dúvidas: Foi buscar fotos bem sacanas com a modelo. Gostou mais ainda do que viu. Esguia, magérrima, olhos de esfinge, pés pequenininhos... Pois é, naquela noite, Umbigo tomou leite quente. O que era de se espantar é que as fotos datavam da década de 70, não tinham retoques ou coisa assim. Nesse momento, Rudá percebeu que Frinéia já tinha seus 50 e poucos anos. Quando se deu conta, já era dia. O Sol reinava absoluto num horizonte sem nuvens ou poluição. Rudá lava a mão, paga a conta, e pergunta a Padu como chegar em Cronólopolis. - Olha meu amigo, você pode ir pela estrada, mas eu recomendo pegar um barco, no rio próximo à cidade. Assim você chega mais rápido, a tempo da inauguração. Rudá então parte na direção indicada pelo empreendedor, e aluga uma fragata. Parte no mesmo momento para uma viagem que duraria no máximo meia hora. Acontece que o que ele não sabia era que o rio naquele lugar era temperamental, e sua correnteza variava de acordo com a época e as condições climáticas. Quando já estava longe da costa de Sonópolis, Rudá se perde. Não era um bom navegador, mas fez questão de ir sozinho. E para piorar, a maior Cumulusnimbus já vista na história da cidade se aproxima. A correnteza fica desgovernada, inclusive mudando de sentido a todo momento. Rudá e Umbigo tentam a todo custo colocar a pequena fragata na rota novamente, mas sem sucesso. Por onde olhava, Rudá só enxergava o cinza das águas furiosas caindo do céu, não tinha nenhum contato visual com a terra. O protagonista morria de medo. Natural, afinal, quem tem Umbigo tem medo. De repente, uma onda gigante atinge a embarcação, e Rudá bate a cabeça. Aí, então, ele se vê em seu antigo atelier. Tudo tinha sido deixado como na última vez que ali esteve: o dia da ruptura. Um quadro inacabado, palhetas usadas, pincéis jogados, uma aliança toda pintada de azul e um pedaço de barbante. Tudo intocado até então. Uma ira gigantesca invade o coração de Rudá, que surpreendentemente se encontra com um galão de gasolina e uma caixa de fósforos. Em pouco tempo, ateia fogo em tudo que encontra, e acha bom. Enquanto suas coisas ardem em chamas, Rudá chuta outros quadros, quebra pincéis e paredes. Precisava por para fora toda a ira que não entendia direito. Assim, em meio ao caos que aquilo virou, uma mulher sai do meio das chamas, intocada. Era Frinéia. - Rudá, está satisfeito? - Sim, claro. Mas não entendo... - Eu acho que entendo. Mas tenho uma última frase a você... - O que é??? - Aterra! - O que!? – Rudá não entendia nada do que Frinéia falava. - Aterra Rudá, aterra!! - Não estou entendendo! A visão de Rudá começa a ficar turva. Ele sente que vai desmaiar. A voz da moça começa a ficar baixinha, distante, e o fogo vai perdendo seu calor. O laranja vibrante de antes começa a ficar um pouco azulado, e o ar mais leve... - A terra Rudá, a terra! Quando se da conta do que aconteceu, Rudá reconhece o céu limpo e sem nuvens de antes. A luz invadia seus olhos, que demoraram a se abrir. Mas reconhecia a voz de Umbigo. - A terra Rudá! Chegamos à terra firme! Rudá então percebe que naufragaram. Tropo, se levanta, arruma um pouco sua roupa molhada e amassada, e sorri. Estava mais leve, sentindo seu coração vagabundo. Estava a salvo, e tinha um compromisso a participar.
Escrito por Paulinho às 23h15
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Pedaço III - II Rudá caiu de bunda no chão. Tentou gritar e não teve voz. Ficou apavorado. Não sabia que criaturas às vezes surgem durante o crepúsculo. Umbigo estava piscando de medo. - Quem é você? – gaguejou com as calças sujas de terra. - Meu nome é Eduardo. A criatura se aproximava com passos firmes e lentos. Vestia roupas pretas, com um bom corte. Traje de muitíssimo bom gosto. Usava um topete um pouco arrepiado e tinha a pele branca. Muito branca. - Eduardo? - Isso! - O que é você? - Como assim? O que sou eu? - Que tipo de monstro pode aparecer assim num lugar desses? Você é um vampiro? - Deprimente... Eduardo estende a mão para ajudar Rudá a levantar do chão. Pelo Umbigo não passava pensamento, estava travado. - Você não é um vampiro? – perguntou Rudá já de pé, mas ainda com medo. - Que besteira!! Óbvio que não! Isso só existe no cinema! Eu moro numa casa logo ali na frente. Moro e trabalho. Montei uma lan house na garagem. Meu nome é Eduardo. Paulo Eduardo, mas pode me chamar como todos me conhecem: Padu. Umbigo já parecia relaxado. - Mas como você fez para se materializar diante dos meus olhos? - Que materializar o quê! Eu pulei de trás dessa arvora, ó! - E por que gritou? - Ah... Só pra brincar... Dar um sustinho... Pegadinha, né? Só palavrões passavam pela cabeça de Rudá, mas preferiu falar outras coisas. - Quer dizer então que você é dono da lan house? Você pode nos levar até lá? Como todo habitante dessas pequenas cidades do interior, Padu sempre fez questão de receber e atender muito bem os turistas. Dessa vez não foi diferente. Ao chegarem a casa, esperaram na garagem, onde estavam os computadores, enquanto o anfitrião subiu as escadas e foi até a cozinha preparar algo para receber a visita. - Senta aí e digita no buscador c-l-e-p-i-c-i-d-r-a. - soletrou ingenuamente Umbigo. - Pode deixar, espero que a gente possa saber logo o que significa isso e sanar todas essas nossas dúvidas. - Nossa! Olha só que gata! Pendurada acima dos computadores, entre dois vasos com violetas, estava a fotografia de uma mulher. Muito atraente. Cabelos loiros cheios de volume, lábios carnudos com batom vermelho onde apareciam só um pouco os dentes. Olhos de esfinge. Aquela foto definitivamente atraiu a atenção de Rudá.
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 01h29
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Pedaço III - I - Pedalar de noite? Tá louco?
Umbigo não parava de falar. Até babava de tanto falar. Não entendia porque tinham parado para dormir. Não sabia o significado de cansaço, como chegar Cronópolis e muito menos o que é uma porra de uma clepsidra. Umbigo nunca dormiu. Nunca teve sono. - É! Vamos pedalando que a gente alcança ela rapidão! Dois palitos! - Onde você aprendeu falar desse jeito? – espantou-se Rudá. - Sou Umbigo malandro! Nasci sem dedo pra colocar anel! Rudá ficou um pouco deprimido pela forma como seu próprio umbigo se expressava, mas não se desanimou, saiu do quarto de albergue que estava e na rua, logo em frente, encontrou um boteco aberto. Pediu um café preto. - Quer pinga com arnica? - Só o café, por favor... Várias dúvidas pipocavam dentro da cabeça do homem de xadrez. Os goles de café o ajudaram a selecionar quais delas eram as mais angustiantes naquele momento. Precisava de um computador. - Tem uma casa com uns computadores que fica umas quatro quadras daqui... – disse o dono do boteco, que também era garçom e consumia uma cachacinha. Crepúsculo. Era o dia agonizando. Já não tinha mais claridade alguma no céu. Só um pouquinho de brilho no horizonte definia até onde alcançava a visão. Nem Lua, nem estrelas, só nuvens. Quatro quadras para quem tinha pedalado tanto e já estava bem descansado não eram nada. - Lá a gente pesquisa na internet o que é clapsidra! A gente descobre onde fica Cronópolis! Vamos agora! – insistiu o buraquinho. - Vamos. Quatro quadras. Mas ninguém disse como era o caminho. Conforme se distanciava do albergue e do boteco, único foco de luz naquela hora, Rudá ia se dando conta de como aquele caminho lha dava arrepios. Eram árvores negras, secas. Galhos espessos e retorcidos quase voltavam para alcançar as próprias raízes. A rua, que duas quadras atrás tinha pedras calçadas, era forrada por um barro seco no qual que o vento que os passos desenhavam figuras no chão e espectros de poeira no ar. De repente, uma criatura se materializa: - RÁ!!
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 01h28
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Pedaço II Rudá, aos 6 anos de idade, ganhou de sua mãe Maria uma caixa de giz de cera. Aquilo fez seus olhos brilharem, pois assim conseguia colocar no papel todas as cores do mundo. Fazia desenhos de seus pais, seus avós, de árvores, arco-íris, e mesmo os mais variados tipos de animais que a mente humana pode imaginar. O tempo foi passando. Inexorável, multiplicou as caixas de giz, as transformou em lápis, grafites, pincéis. Transformou os papéis em cartolinas, paredes, telas e molduras. Rudá, aos 24 anos, era professor de artes plásticas, e vivia tranquilo com seu ego. Até que o “colapso” aconteceu. Hoje, aos 27 anos, sentia um pouco de dor nas mãos. Não se sabe se é devido aos anos de movimentos finos, ou a madrugada na frente da televisão. Não teve tempo de se aquecer antes de pegar sua bicicleta e partir para virar a curva. Enquanto pedalava, Umbigo se mostrava ansioso. Com dificuldades de enxergar por entre os botões de uma camisa xadrez, perguntava a todo momento quando a tal curva chegaria. Ela ficava mais distante do que eles esperavam, mas em poucos minutos chegaram ao fim da longa rua, e cruzaram à direita. Para espanto geral de ambos, a bicicleta rosa já abria uma distância considerável, já entrando numa estrada velha, que percorria várias cidades. Ainda estava um pouco longe da capital, por isso praticamente nenhum carro atrapalhou seu trajeto em busca de garota. Os dois pedalaram muito. Muito mesmo, ficaram quase duas horas pedalando até chegar à entrada da cidade mais próxima, a cidade de Sonópolis. Estranhamente, a garota entrou na cidade, mas lá sumiu. Debaixo do portão da cidade, um arco branco escrito boas-vindas, Rudá e Umbigo pararam a bicicleta e forçaram a vista para encontrar a garota. Nada viram. Foram pedalando até a praça central, composta por um coreto, uma igreja, uma agência do Banco do Brasil e um pequeno comércio local. Rudá, então, entra em uma loja de relógios, e pergunta à balconista: - Você viu uma garota andando de bicicleta rosa por aqui? - Sim amigo, ela trabalha na construção da clepsidra. Fica logo aí, no Shopping Internacional de Cronópolis. - Ah, muito obrigado! Rudá sabia que a cidade de Cronópolis ficava perto. Era estranho que a moça andasse de bicicleta até lá, principalmente porque era uma cidade razoavelmente grande. A além disso, tinha praias, e até alguns turistas! Rudá tratou logo de pedalar a caminho da cidade grande. Quando não foi sua surpresa, Umbigo o indaga: - Rudá, para onde estamos indo mesmo? - Para a clepsidra da cidade de Cronópolis. - Mas então... que porra é essa de clepsidra?! Como se aquelas palavras fossem uma parede, Rudá para a bicicleta bruscamente. Umbigo, desavisado, quase acabou indo parar na linha entre os mamilos, como numa mulher de 60 anos. - Eu não faço a menor ideia. E você? - Também não. Deve ser algum tipo de prédio, ou mesmo uma escultura de algum monstro mitológico... Aquela dúvida, somada à fome e ao sono, fizeram com que nosso desbravador resolvesse parar um pouco, em um pequeno albergue da cidade. A busca poderia recomeçar depois. Deitou na cama após um farto e simples almoço, e finalmente dormiu. Teve um sonho muito interessante. Parecia que estava em um hotel bem chique, discursando para uma plateia cheia de artistas consagrados, jornalistas, intelectuais. Estava em um palco, bem vestido, e a cada palavra era ovacionado. Era o rei de si. Finalmente, após o discurso, iria tirar uma manta preta que cobria seu mais novo quadro, gesto aguardado por todos. Porém, quando pôs a mão na manta, esta estava grudada no quadro. Por mais que forçasse, elas não desgrudavam. Todos começaram a se desanimar, bocejar, e ir embora. Quando a última pessoa saiu do recinto, o barulho da porta fez com que Rudá acordasse no susto. Foi a banheiro, lavou o rosto, e olhando pela janela do pequeno hotel, viu que chegara o crepúsculo.
Escrito por Paulinho às 23h23
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A viagem de Rudá
Pedaço I O sol anunciava o início de um dia qualquer, como todos os outros dias. Há horas Rudá estava acordado, mas não parecia, jogado no sofá amarelado diante da televisão nova. Só mexia a ponta do indicador, trocando pelo controle os canais da televisão. O som baixo dos programas da madrugada se misturava com os primeiros passos das pessoas na rua. Mantinha os olhos na tela. Um filme que já sabia as falas de cor. Trocou. Tinha começado a missa com dois padres, um mais velho e outro para cantar os novos hinos. Trocou. Propaganda de um novo produto que protege a lataria do carro contra a ação do Sol e da chuva. Apresentado por uma loira com a barriga e as pernas de fora. Trocou. Propaganda de uma nova churrasqueira e os bifes mal-passados que só ela poderia preparar. Trocou, e fez um movimento maior com o braço, posicionando sua mão entre as pernas. Só ele estava acordado. O resto da casa era como a sala. E a sala parecia uma extensão do sofá, com uma sujeira estranha que subia até mais ou menos o meio das paredes. A grande janela deixava o calor do sol subir pela pernas de Rudá quando um barulho da rua lhe chamou a atenção. Ele reconheceu aquele som. Uma bicicleta rosa com um pedaço de plástico preso entre os aros das rodas e umas fitas coloridas amarradas no guidom. Ela pedalava. Os olhos foram seguindo a menina até que ela sumisse na curva. Rudá sentiu seu estômago queimar. Gemeu baixinho. Não poderia deixar que aquilo lhe fizesse tão mal. E dessa vez estava fazendo muito mal. Teve que se sentar de novo no sofá e apertar a barriga com as mãos. Apertou também os dentes e fechou os olhos. Prendeu a respiração. Achou que fosse vomitar. No ápice da dor, ouvir alguém chamar seu nome: - Rudá! Rudá! Pára com isso! O chamado vinha do meio dos seus dedos. - Rudá! Você vai me esmagar! – disse o umbigo, quase sem ar. Rudá abriu os braços e se largou no sofá de novo. Estava ofegante e com o rosto todo vermelho. Esses sintomas tinham piorado desde a última vez que a tinha visto. - Rudá! Olha para mim! - Fala. O que você quer? – e recobrou de vez o fôlego. - Eu gosto quando você me olha assim! O umbigo já tinha ouvido o pedalar que agredia tanto Rudá, mas nunca tinha visto. O parapeito da grande janela era muito alto. - Nem com um salto, já lhe disse! - Eu queria tanto... – e escorreu uma lágrima em direção ao púbis. A sala amarelada ficava ainda mais feia com os primeiros raios de luz da manhã. A luz também brilhou a pele dos braços e do peito de Rudá. Uma pele tosca e frágil. Ele se sentia fragilizado ao vê-la passar pela rua. Era só uma menina, pensava. - É só uma menina! – falou para o umbigo parar de chorar. Os cabelos no ombro balançando suavemente com o vento e com os trancos que a rua esburacada dava em seu corpo pequeno. As canelas eram finas, parecidas com as dele. A pele refletia a luz diferente de qualquer outra pele. A bicicleta causava mais estragos que um tanque de guerra. - Eu quero ver! Cansou. Essa guerra particular que ele e seu umbigo travavam todos os dias o cansou. Levantou bandeira branca e agora estava entregue aos pedidos que o buraquinho do meio da barriga o fizesse. - Nós vamos encontrar essa garota! Quero ver! Rudá foi ao banheiro, pois sentiu necessidade de urinar e lavar as mãos. Depois montou em sua bicicleta e saiu fazendo o mesmo caminho que viu várias vezes a bicicleta rosa fazer até a curva. E a partir desse ponto, ele e seu umbigo se fizeram reféns de todas as possibilidades do mundo.
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 09h29
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O tempo.
É um dia típico. Vai ter Sol seguido de Lua, e chuva. O mundo, com toda a sua crueldade, sempre continua. Curiosa é a forma como nos habituamos a marcar as datas. E como ficamos entusiasmados com a renovação do próximo dia. Nós somos testemunhas de um mundo que espera o melhor para o próximo ano. Pois esse até que foi bom, mas o próximo há de ser infinitamente melhor. Com muita saúde, felicidade e paz para todos nós, que temos a impressão de manter tudo sob controle. Que falácia! Pois é, Lampi! Lembra do tempo inexorável? Incontrolável! Ele nos escapa pelos dedos, com sutileza. Claro, também temos a morte. Mas acho que o tempo e a morte são como irmãos com suas diferenças. A morte age a palo seco, sendo imprevisível e indolor (tomara!). Já o tempo é efetivo dia após dia, a cada segundo que passa a gente morre um pouquinho. Eis que a agonia toma conta de todo mundo: estamos com os dias contados. E agora? Que será? Ora, cá lhe digo o que foi e o que será! Tenho um momento cristalizado em minha memória. Foi uma vez em que estávamos em uma sala com um piano e um violão, ao lado de uma sala repleta, veja só, de relógios. Fazíamos música embriagados e você disse: Em todos os dias algo de especial. Viver a vida como se não existisse amanhã! Todos os relógios fizeram silêncio nesse instante. Êxtase! Momento de perspicácia única! É quando a pessoa nos ilude, como um grande mago, e dá a impressão que controla o próprio tempo e todo o tempo do mundo. Abre nossos olhos e nos força ver que os momentos podem ser mesmo sempre maravilhosos e únicos. Isso nos traz a mais bela e profunda paz de espírito! É isso que todos nós precisamos, antes de tudo, para o próximo ano e para todos os que nos restam. Você é rei da perspicácia, Lampi! Dessa malandragem que nos traz a paz! Feliz Ano Novo. Foda és tu. Vitor Lourenço 01/01/10
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 23h05
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A pedido de Mike Maeda
Ode ao Ascetismo:
Palavras são inefáveis para a beleza e insanidade do mundo asceta. A loucura dos nossos sonhos romperam barreiras inexplicáveis e o universo tornou-se pequeno demais.
"Nós" queremos o quê ninguém quer! "Nós" somos o quê ninguém é! "Nós" estamos onde ninguém chegou!
Esperamos que toda a nossa fúria, ódio, inconformidade, desespero, luxúria, amor, desejos e fantasias transformem, pelo menos, uma pequena parte do mundo em algo hipoteticamente suportável...
Obrigado pelo momentos sublimes de paz queridos amigos Paulo Souza (Lampi) e Vitor Lou.
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 16h43
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Sono e pesadelo (parte II)
Eu não sei se estou acordado ou se estou sonhando! Agora são quatro horas da madrugada, um puta dum frio e eu acordado... ou dormindo... ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOONC!!! É, ainda estou dormindo... _____________________ - Amorzinho? Amoooor?! Acorda, amor!! - (!!) Tive um pesadelo agora! - Minha nossa, santa criatura! - Se eu demorar uns meses Convém, às vezes, você sofrer Mas depois de um ano eu não vindo Ponha a roupa de domingo E pode me esquecer... - Você tá bem louco, né? Querido? Que tá acontecendo? - Não sei... Não sei se quero ficar acordado ou dormindo... - Você quer ir ao médico? - Nem fodendo vou ao médico... de novo não! - Mas... - Amor... - Fala... - Eu não tenho palavras pra explicar o que está acontacendo comigo... - Hum... - "Hum..." o quê?? - Continua! - É isso, pô! Não tenho palavras... Sei lá... Eu nem sei dizer "eu sinto"... Mas alguma coisa acontece no meu coração... - Você tem que comer menos carne vermelha, querido... - É disso que eu tô falando... - Carne vermelha? - Não... O vazio das suas palavras... ROOOOOOOOOOOOOOOOOONC! - Dormiu de novo... (continua...)
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 11h21
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Post póstumo
Caros amigos, venho através deste lhes dizer que o ascetas acabou. É, acabou. O gozo da plenitude moral, objetivo maior de todo asceta, pode não ter sido alcançado. Mas o sucesso não é o fim, e sim o caminho.
Tudo tem um fim, e espero que este seja o menos melancólico possível. Sim, pois fins melancólicos são chatos, sempre pedem um retorno, que no nosso caso não existirá; é definitivo.
Por aproximadamente três anos, eu e meu amigo Lou postamos contos, poesias e textos sem definição estética. Foram anos realmente muito bons. Muitas vezes, esses textos serviram apenas de uma fagulha, que acendeu discussões das mais variadas, desde vulgaridades, até os mais profundos mistérios do ser humano.
Fico feliz em ver que os leitores, mesmo que escassos, tenham feito parte ativa de nosso site. Não foi apenas obra de dois amigos. Com certeza, os “comentaristas” foram a alma desse audacioso site.
Se existe alguma coisa que persistirá ao fim do ascetas é minha amizade por Vitor Lou. Realmente, foi um prazer dividir esse espaço com ele. Não só pela sua personalidade marcante, mas também pela inteligência e “energia positiva” que o rodeia. Cara, foda és tu!!!
Interessante notar o quanto as pessoas mudam em três anos. A temática de nossos textos seguem talvez a inexorável linha do tempo. Fato que acontece também com os comentários.
Apesar do fim dos posts, o site não sairá do ar. Ficará aqui, aproveitando o “efeito cauda longa” que o mundo virtual pode proporcionar, para que a qualquer momento as pessoas, inclusive eu, possam relembrar momentos que não voltam nunca mais. Se esquecerem do endereço, é só digitar “ascetas” no google: Somos o segundo link que aparece.
Para finalizar (desta vez para sempre), não me usarei de palavras belas e vazias (artimanha dos fracos) nem de choros copiosos de carpideiras, mas sim de agradecimentos. Nada mais justo que terminar o site agradecendo aqueles que o fizeram; ou seja, vocês:
Muito obrigado a todos.
Escrito por Paulo Sousa às 13h12
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Despedida
Desculpem-me pela falta de trato! E pela rapidez com que escrevo, pois devo dormir em breve!
Não há palavras, de verdade, embora pareça isso piegas, para ilustrar o que Ascetas representou pra mim. Foi um lugar que, indiferente a qualquer fator alheio, me permitiu expor milhares de coisas que habitam minha cabeça.
E indubitavelmente o Lampi é um grandiosíssimo companheiro, não de hoje! E espero que sempre seja, por longas datas! Foi um prazer dividir esse espaço com ele!
Essa é minha despedida. Foi um prazer! Acho que um ciclo se interrompe, pra não falar em final. Continuarei escrevendo algumas coisinhas, teinando e treinando!
Se alguém quiser receber o fim de "Sono e pesadelo" sabe onde me encontrar! Tenho MUITO o que aprender!
Abraços e beijos a todos! Terei MUITAS saudades... De verdade!
Vitor Lou.
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 11h19
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Sono e pesadelo (parte I)
-Nossa! Esse filme foi bom mesmo! Não achou, querido?
-RONC!
-Ah... Dormiu novamente... Anda tão cansado ultimamente...
Ele não foi sempre tão cansado. De tempos pra cá é que ele vem se
sentindo diferente. Dorme muito. Sono incontrolável. Sem motivos
aparentes. Trabalha como qualquer pessoa normal.
-Oi, querida!
-Oi, amor!
Beijo.
-Como foi seu dia de trabalho, querido?
-Nossa, eu tô tão cansado... Foi bem cansativo...
-É mesmo? Posso te ajudar a relaxar... O que acha?
-Hummm... Vou tomar um banho então.
-Te espero na cama...
Da cama ela ouve um forte barulho de impacto
vindo do banheiro. Um estalo. Um estalo surdo.
E a ressonância a fez entrar em alerta. Foi correndo
ao banheiro e lá estava. Caído dentro do box, bateu a
cabeça com força e desmaiou.
-Doutor, como ele está?
-Ele está bem. Teve sorte de não sofrer nenhum traumatismo.
-E ele está acordado? Posso falar com ele?
-Não. Na verdade, isso intriga minha equipe...
-O quê, doutor?
-Os exames indicam que ele está com tudo absolutamente
em ordem. E por isso mesmo deveria estar acordado ou consciente.
-Como assim?
-Seu marido está dormindo. Depois de tudo que passou e do tempo
decorrido ele já deveria ter recobrado a consciência. Está tudo bem
com seu marido? Notou algo diferente nele nos últimos tempos?
-Ele andava bem cansado...
Cinco dias se passaram. Até quando ele finalmente acordou.
Aquilo era diferente. Por que passou a ter tanto sono?
Fez mais alguns exames depois que acordou e uma junta
médica prometeu estudar o caso.
-Querido... está tudo bem com você? Fiquei super assustada...
-Amorzinho, eu não me sinto bem quando tenho sono... Mas
de resto, estou normal...
-No trabalho, alguma discussão, alguma coisa aconteceu?
-Não! Juro que estou bem, só não consigo controlar meu sono.
-Eu me preocupo muito com você, querido. Não quero que você
desmaie sozinho, sem ter alguém pra te ajudar... Você entende isso?
-RONC!
-De novo...
(continua...)
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 22h13
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Necrofagia ou O Cu
(De madrugada, dois amigos voltando pra casa)
-Então, depois da festa, subi lá no quartinho com a Jennyfer, daí...
-Ô Fino, peraí...
-Peraí o quê?
-Quié aquilo ali?
-Caralho! É um morto!
-Vixe!
-Quem é?
-Deixa ver... Ih, parece o Valtinho.
-Não! O do Valtinho acharam a semana passada, lá pra baixo...
-Não sei quem é, então!
-Deixa eu ver... Esse cara não é daqui não...
-Sinistro! Morreu do quê?
-Sei lá, ué!
-Vê aí, Fino...
-Vê aí o quê?
-Se tá morto mesmo.
-Cê tá louco!
-Pô, cara! Não tem sangue no chão. E se ele tiver desmaiado? Vai saber...
-Ah... Deixa ele aí...
-Pô Fino... A gente vai deixar o cara aí largado? Vê aí...
-E por que não vê você?!?
-Ah, eu tô gripado. E também tô com umas perebas na mão. Vai que passa...
-PORRA!!! O cara tá morto!!!
-Vai saber! Vê aí, Finão! Não é você que queria ser médico?
-Tá bom, vai!
-Vê pela cara dele.
-Beleza! O olho puxado pra cima... Cara inchada... Puta cheiro de pinga!!
-Mas ele tá gelado? Se tiver gelado é porque tá morto...
-Tá gelado. Mortinho!
-Será que foi o quê?
-Ah... Cachaça!
-Cachaça mata assim?
-Ô se mata! Tive três tios que morreram assim! Tavam andando e caíram durinhos!
-Vamos conferir, tira a roupa dele.
-E agora essa!!! Pra quê?
-Vamos ver se não tem nenhuma marca de faca. Vai saber...
-Olha! É a última coisa que vou fazer... Daí a gente chama a polícia e vai embora!
-Tá bom!
-Pronto! Olha aí! Sem nenhuma marca. Nem faca. Nem tiro. Nas pernas também não tem nada, só tá todo inchado. Foi cachaça! Vamos vestir ele...
-Não! Deixa as roupas aí do lado...
-Pô, que sacanagem com o morto!
-Ah, já tá morto mesmo...
-Tem razão...
-Será que faz tempo?
-Como vou saber?
-Vê a temperatura.
-Tá gelado, já falei.
-Temperatura interna.
-Eita, eu não tenho termômetro.
-Enfia o dedo no cu dele.
-Olha! Vai pra puta que pariu!! Vamos embora...
-Peraí, Finão...
-Peraí porra nenhuma... Vamos embora!!
-Se não fizer muito tempo podem suspeitar que a gente matou o cara de algum jeito... Vai saber...
-Tá! Eu vejo a temperatura agora. Você corre lá no orelhão, chama a polícia e a gente cai fora. Beleza?
-Beleza! Enfia aí.
-Tá. Hum... Tá bem apertadinho... Hum... Tá quentinho!
-Muito? Ou médio?
-Tá quentinho...
-Tá! Beleza! Vou lá ligar!
(Cinco minutos depois)
-Finão, a polícia já vem v... PUTA QUE PARIU!!!
-Não grita!!
-Você tá comendo o cu do morto!!!
-Fala baixo, pô!! Também... De madrugada, aqui não passa ninguém. O desgraçado cai de bruço no mato. Com essa bundinha durinha, inchadinha... Não deu pra segurar! Uma delícia! Bobeou, eu sapeco mesmo!
-Vizi...ondié queu tôzi?...
-Ô diabo! Você não tá morto não?!?
-O cara tá é mamado de pinga!! Corre Fino!!
-Queu fazo? Quizé? Quizumba essa?...
(Mais tarde...)
-Caralho! Nunca corri tanto!
-Nem eu! Mas acho que ele nem vai lembrar da gente. Né?
-Também acho... Mas, então... eu tava falando... Depois da festa, subi lá no quartinho com o Jonathan, daí...
-Ô Fino, peraí...
-Peraí o quê?
-Não era com a Jennyfer?
-Lógico!! Quer dizer, só pode ser né?!? Eu falei Jonathan?? Não ia ter porquê eu subir lá no quartinho com o Jonathan...
-Vai saber...
Moral
Cu de bêbado não tem dono. De morto então, nem se fala!
Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 10h20
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Poesia despretensiosa
Não tenho tempo
Pra escolher nada
Já fizeram a escolha errada
E agora eu, que rumo fumando
Pé no acelerador, cabelos ao vento
O velho rock’n’roll nos falantes
Não sei se devia ter virado antes
Ou seguir o que estavam falando:
“Muito cuidado ao pegar essa estrada”
Movimento constante
Movimento relativo
Seria eu, um grande incentivo
àqueles que buscam um prazer maior?
Nada sei sobre mim nesse instante
Pois o fardo que se fez tormento
Que quis vivê-lo em cada vão momento
Persegue-me em versos que eu sei de cor
Como se fosse seu maior atrativo
Oh sábio rock’n’roll!!! Porque tu me abandonaste!?!?!?!?!
Escrito por Paulo Sousa às 12h30
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