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Ascetas


Post póstumo

Caros amigos, venho através deste lhes dizer que o ascetas acabou. É, acabou. O gozo da plenitude moral, objetivo maior de todo asceta, pode não ter sido alcançado. Mas o sucesso não é o fim, e sim o caminho.

Tudo tem um fim, e espero que este seja o menos melancólico possível. Sim, pois fins melancólicos são chatos, sempre pedem um retorno, que no nosso caso não existirá; é definitivo.

Por aproximadamente três anos, eu e meu amigo Lou postamos contos, poesias e textos sem definição estética. Foram anos realmente muito bons. Muitas vezes, esses textos serviram apenas de uma fagulha, que acendeu discussões das mais variadas, desde vulgaridades, até os mais profundos mistérios do ser humano.

Fico feliz em ver que os leitores, mesmo que escassos, tenham feito parte ativa de nosso site. Não foi apenas obra de dois amigos. Com certeza, os “comentaristas” foram a alma desse audacioso site.

Se existe alguma coisa que persistirá ao fim do ascetas é minha amizade por Vitor Lou. Realmente, foi um prazer dividir esse espaço com ele. Não só pela sua personalidade marcante, mas também pela inteligência e “energia positiva” que o rodeia. Cara, foda és tu!!!

Interessante notar o quanto as pessoas mudam em três anos. A temática de nossos textos seguem talvez a inexorável linha do tempo. Fato que acontece também com os comentários.

Apesar do fim dos posts, o site não sairá do ar. Ficará aqui, aproveitando o “efeito cauda longa” que o mundo virtual pode proporcionar, para que a qualquer momento as pessoas, inclusive eu, possam relembrar momentos que não voltam nunca mais. Se esquecerem do endereço, é só digitar “ascetas” no google: Somos o segundo link que aparece.

Para finalizar (desta vez para sempre), não me usarei de palavras belas e vazias (artimanha dos fracos) nem de choros copiosos de carpideiras, mas sim de agradecimentos. Nada mais justo que terminar o site agradecendo aqueles que o fizeram; ou seja, vocês:

Muito obrigado a todos.



Escrito por Paulo Sousa às 14h12
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Despedida

Desculpem-me pela falta de trato! E pela rapidez com que escrevo, pois devo dormir em breve!

Não há palavras, de verdade, embora pareça isso piegas, para ilustrar o que Ascetas representou pra mim. Foi um lugar que, indiferente a qualquer fator alheio, me permitiu expor milhares de coisas que habitam minha cabeça.

E indubitavelmente o Lampi é um grandiosíssimo companheiro, não de hoje! E espero que sempre seja, por longas datas! Foi um prazer dividir esse espaço com ele!

Essa é minha despedida. Foi um prazer! Acho que um ciclo se interrompe, pra não falar em final. Continuarei escrevendo algumas coisinhas, teinando e treinando!

Se alguém quiser receber o fim de "Sono e pesadelo" sabe onde me encontrar! Tenho MUITO o que aprender!

Abraços e beijos a todos! Terei MUITAS saudades... De verdade!

Vitor Lou.



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 12h19
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Sono e pesadelo (parte I)

 

-Nossa! Esse filme foi bom mesmo! Não achou, querido?

-RONC!

-Ah... Dormiu novamente... Anda tão cansado ultimamente...

 

Ele não foi sempre tão cansado. De tempos pra cá é que ele vem se

sentindo diferente. Dorme muito. Sono incontrolável. Sem motivos

aparentes. Trabalha como qualquer pessoa normal.

 

-Oi, querida!

-Oi, amor!

 

Beijo.

 

-Como foi seu dia de trabalho, querido?

-Nossa, eu tô tão cansado... Foi bem cansativo...

-É mesmo? Posso te ajudar a relaxar... O que acha?

-Hummm... Vou tomar um banho então.

-Te espero na cama...

 

Da cama ela ouve um forte barulho de impacto

vindo do banheiro. Um estalo. Um estalo surdo.

E a ressonância a fez entrar em alerta. Foi correndo

ao banheiro e lá estava. Caído dentro do box, bateu a

cabeça com força e desmaiou.

 

-Doutor, como ele está?

-Ele está bem. Teve sorte de não sofrer nenhum traumatismo.

-E ele está acordado? Posso falar com ele?

-Não. Na verdade, isso intriga minha equipe...

-O quê, doutor?

-Os exames indicam que ele está com tudo absolutamente

em ordem. E por isso mesmo deveria estar acordado ou consciente.

-Como assim?

-Seu marido está dormindo. Depois de tudo que passou e do tempo

decorrido ele já deveria ter recobrado a consciência. Está tudo bem

com seu marido? Notou algo diferente nele nos últimos tempos?

-Ele andava bem cansado...

 

Cinco dias se passaram. Até quando ele finalmente acordou.

Aquilo era diferente. Por que passou a ter tanto sono?

Fez mais alguns exames depois que acordou e uma junta

médica prometeu estudar o caso.

 

-Querido... está tudo bem com você? Fiquei super assustada...

-Amorzinho, eu não me sinto bem quando tenho sono... Mas

de resto, estou normal...

-No trabalho, alguma discussão, alguma coisa aconteceu?

-Não! Juro que estou bem, só não consigo controlar meu sono.

-Eu me preocupo muito com você, querido. Não quero que você

desmaie sozinho, sem ter alguém pra te ajudar... Você entende isso?

-RONC!

-De novo...

 

(continua...)



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 23h13
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Necrofagia ou O Cu

(De madrugada, dois amigos voltando pra casa)

 

-Então, depois da festa, subi lá no quartinho com a Jennyfer, daí...

-Ô Fino, peraí...

-Peraí o quê?

-Quié aquilo ali?

-Caralho! É um morto!

-Vixe!

-Quem é?

-Deixa ver... Ih, parece o Valtinho.

-Não! O do Valtinho acharam a semana passada, lá pra baixo...

-Não sei quem é, então!

-Deixa eu ver... Esse cara não é daqui não...

-Sinistro! Morreu do quê?

-Sei lá, ué!

-Vê aí, Fino...

-Vê aí o quê?

-Se tá morto mesmo.

-Cê tá louco!

-Pô, cara! Não tem sangue no chão. E se ele tiver desmaiado? Vai saber...

-Ah... Deixa ele aí...

-Pô Fino... A gente vai deixar o cara aí largado? Vê aí...

-E por que não vê você?!?

-Ah, eu tô gripado. E também tô com umas perebas na mão. Vai que passa...

-PORRA!!! O cara tá morto!!!

-Vai saber! Vê aí, Finão! Não é você que queria ser médico?

-Tá bom, vai!

-Vê pela cara dele.

-Beleza! O olho puxado pra cima... Cara inchada... Puta cheiro de pinga!!

-Mas ele tá gelado? Se tiver gelado é porque tá morto...

-Tá gelado. Mortinho!

-Será que foi o quê?

-Ah... Cachaça!

-Cachaça mata assim?

-Ô se mata! Tive três tios que morreram assim! Tavam andando e caíram durinhos!

-Vamos conferir, tira a roupa dele.

-E agora essa!!! Pra quê?

-Vamos ver se não tem nenhuma marca de faca. Vai saber...

-Olha! É a última coisa que vou fazer... Daí a gente chama a polícia e vai embora!

-Tá bom!

-Pronto! Olha aí! Sem nenhuma marca. Nem faca. Nem tiro. Nas pernas também não tem nada, só tá todo inchado. Foi cachaça! Vamos vestir ele...

-Não! Deixa as roupas aí do lado...

-Pô, que sacanagem com o morto!

-Ah, já tá morto mesmo...

-Tem razão...

-Será que faz tempo?

-Como vou saber?

-Vê a temperatura.

-Tá gelado, já falei.

-Temperatura interna.

-Eita, eu não tenho termômetro.

-Enfia o dedo no cu dele.

-Olha! Vai pra puta que pariu!! Vamos embora...

-Peraí, Finão...

-Peraí porra nenhuma... Vamos embora!!

-Se não fizer muito tempo podem suspeitar que a gente matou o cara de algum jeito... Vai saber...

-Tá! Eu vejo a temperatura agora. Você corre lá no orelhão, chama a polícia e a gente cai fora. Beleza?

-Beleza! Enfia aí.

-Tá. Hum... Tá bem apertadinho... Hum... Tá quentinho!

-Muito? Ou médio?

-Tá quentinho...

-Tá! Beleza! Vou lá ligar!

 

(Cinco minutos depois)

 

-Finão, a polícia já vem v... PUTA QUE PARIU!!!

-Não grita!!

-Você tá comendo o cu do morto!!!

-Fala baixo, pô!! Também... De madrugada, aqui não passa ninguém. O desgraçado cai de bruço no mato. Com essa bundinha durinha, inchadinha... Não deu pra segurar! Uma delícia! Bobeou, eu sapeco mesmo!

-Vizi...ondié queu tôzi?...

-Ô diabo! Você não tá morto não?!?

-O cara tá é mamado de pinga!! Corre Fino!!

-Queu fazo? Quizé? Quizumba essa?...

 

(Mais tarde...)

 

-Caralho! Nunca corri tanto!

-Nem eu! Mas acho que ele nem vai lembrar da gente. Né?

-Também acho... Mas, então... eu tava falando... Depois da festa, subi lá no quartinho com o Jonathan, daí...

-Ô Fino, peraí...

-Peraí o quê?

-Não era com a Jennyfer?

-Lógico!! Quer dizer, só pode ser né?!? Eu falei Jonathan?? Não ia ter porquê eu subir lá no quartinho com o Jonathan...

-Vai saber...

 

Moral

Cu de bêbado não tem dono. De morto então, nem se fala!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 11h20
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Poesia despretensiosa

Não tenho tempo

Pra escolher nada

Já fizeram a escolha errada

 

E agora eu, que rumo fumando

Pé no acelerador, cabelos ao vento

O velho rock’n’roll nos falantes

Não sei se devia ter virado antes

Ou seguir o que estavam falando:

“Muito cuidado ao pegar essa estrada”

 

Movimento constante

Movimento relativo

Seria eu, um grande incentivo

àqueles que buscam um prazer maior?

 

Nada sei sobre mim nesse instante

Pois o fardo que se fez tormento

Que quis vivê-lo em cada vão momento

Persegue-me em versos que eu sei de cor

Como se fosse seu maior atrativo

 

Oh sábio rock’n’roll!!!

Porque tu me abandonaste!?!?!?!?!

Escrito por Paulo Sousa às 13h30
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3 tipos

Há três tipos de amor:

 

- o amor fácil;

- o amor difícil;

- e o amor impossível.

 

É impossível falar do amor fácil.

É fácil falar do amor difícil.

É difícil falar do amor impossível...



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 13h11
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Salvem-me!

Eu imploro!!!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 12h59
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Fatos Proibidos

 

Felício Pereira Fagundes Primeiro, funcionário público

Furou o pneu do fusca do padre Fernando com prego

Fornicou a perereca da freira Petúnia com falo pecaminoso

Filho da puta do Felício Pereira Fagundes Primeiro

Fechou a paróquia, fodeu a puritana e no fogo penará!!!

Escrito por Paulo Sousa às 00h15
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Paranóia Sunrise

Todo dia, quando levanto

olho pela janela

os primeiros raios do sol nascendo,

trazendo junto todas as agonias:

o dia começou e vai terminar

como todos os outros dias.

 

Paranóia Sunrise!

 

Uma essência inenarrável,

Inexplicável,

Me faz falta.

E que falta faz!

 

Nunca estive tão confuso!

Que falta faz a guia.

Os mesmos erros.

Os mesmos acertos.

Desejos antagônicos.

Paradoxos. Sempre.

 

Paranóia Sunrise!

 

E tudo me anula

nessa indicação maluca

de todos os vetores.

Estagnação.

Falaram: teimosia, burrice,

falta de atenção, falta de coração.

 

Eu discordei.

Há algo errado com o mundo.

Repetiram: teimosia, burrice...

 

Eu não vivo sozinho.

Eu não vivo em conjunto.

Eu não vivo.

Minha evolução parou com um baque.

Mas não me assassinaram,

só fizeram o favor de enterrar.

 

Hoje de manhã,

olhei pela janela

os mesmos raios.

Descobri que eu quero tudo.

E só tenho o nada.

(ou um pouco de tudo)

 

Toda essa indecisão.

O medo da certeza.

Transformam a astúcia em palhaçada.

Deixam os deuses dendo risada

dessa grande decepção: eu.

 

Hoje de manhã,

oa raios brilharam do mesmo jeito.

E me lembraram:

o dia começou e vai terminar

como todos os outros terminaram.

 

Paranóia Sunrise!

 

Paranóia Sunrise!

 

Paranóia Sunrise!

Paranóia Sunrise!

Paranóia Sunrise!

Paranóia Sunrise!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 13h10
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Cachecol

Fazer um cachecol

dá muito trabalho.

Precisa de muita atenção,

ser dedicado.

E o mais importante é:

estar disposti a voltar atrás.

Por quê?

Um cachecol perfeito não tem ponto errado.

Quando você dá um ponto errado

normalmente se percebe mais tarde.

Aí, você tem que disfazer alguns laços,

voltar, só para arrumar um ponto.

Com o ponto certo, é só seguir em frente.

E por que damos um ponto errado?

No começo, as agulhas vão bem devagar

e você sente cada entrelaçar de lã.

Com a prática, os pontos aparecem mais depressa.

E aí mora o perigo.

Os poucos experientes logo esquecem o cachecol.

Se mecanizam em movimentos repetitivos.

Movimento que cansa tudo. Cansa por inteiro.

Um ponto errado logo passa.

Dois. Três.

E quando percebe, já lá no fim da lã

não tem forças para arrumar os pontos errados.

Admiro todos os velhos artesãos

que tricotam juntos por décadas.

Admiro toda a sabedoria dos tempos.

Bem...

Esse cachecol é para você.

Eu o fiz só pra você.

Cada ponto foi um pensamento em você.

Mil quatrocentos e noventa e oito

pensamentos com o seu nome.

E lembranças de bons tempos que passamos juntos.

Esse é meu presente para você.

Um cachecol perfeito, sem pontos errados.

Feito por um tricoteiro-aprendiz.

Vai lhe proteger do inverno.

Caso não queira a proteção

de quem só agora aprendeu

que não há perfeição

sem a perfeição de cada ponto. 

 

ps: co-autoria com Fábio Fabão



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 15h31
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Suquinho de morango também é vida!!!

Não podemos cair na confusão

de achar que a vida é só cachaça.

No bar, se pratica a comunhão

de tudo o que se acha.

 

Sim, moranguinho também é vida!!!

 

Nunca poderemos culpar

quem não sente nada,

quem não consegue amar

os pecados íntimos da cevada.

 

Enfim, cerveja é etanol!

Etanol é álcool!

Álcool é vegetal!

Vegetal é hortaliça!

 

Então, morango também é cerveja!!!

 

Logo, bebamos cerveja e suco de morango,

sempre entre bons amigos!!!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 13h12
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Ooops, I did it again

Comi a bunda da Britney Spears

E como num passe de mágica

Fui envolto por uma fumaça

E me lance na poesia popular

Arte popular, Poparte

 

Quis entrar na selva maldita

Cheia de paradas e Top-5’s

 

Quis ser um popular

Falar com a massa, impressioná-la

Fiz rimas tolas, falando do mar

E evitando efemeridades

Falei da lua, da praia, rebeldia

Da verdade, do sexo, de putaria

Falei da gula e do fogo na periquita

 

E quase entrei na selva maldita

Cheia de paradas e Top-5’s

 

E o fumante me contou

Que o $$$$$ vem sempre primeiro

Sempre, sempre, indubitavelmente

 

Então eu pensei:

Quem sempre chega em primeiro?

O ovo ou a galinha?

A planta ou a farinha?

O povo ou a tirania?

A grana ou a fama?

A luta continua

 

Mas só pra finalizar

E cair na boca do povo

Comi a bunda da Britney

E amanhã vou comer de novo



Escrito por Paulo Sousa às 10h18
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Cervejinha é vida!

É uma infelicidade

A vida rimar com Sofrida

e Amor rimar com A dor.

 

mas essa deve ser nossa sina...

 

Mas um dia, farei com que o mundo veja

que, pra mim, vida rima com cerveja!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 10h39
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Primeiro Beijo

o meu primeiro beijo

era pra ser seu

pois agora todos os outros

são uma merda



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 10h36
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A grande metrópole tropical e seus dias de aguaceiros intermináveis

Esta cidade dos infernos

nesses dias de inverno

só merece dois versos:

 

Choveu!

Fodeu!



Escrito por Vitor Lourenço N. de Oliveira às 10h34
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